A par de tantas dificuldades e dos percalços da economia, inflada pela interminável crise política que insiste em resistir às investigações da Lava-Jato, o empresário lojista, como um verdadeiro equilibrista, continua fazendo a sua parte. Buscando saída onde aparentemente não existe, lutando para manter empregos e o seu próprio negócio. Além disso, o comércio ainda tem que enfrentar a concorrência desleal do mercado informal, que pune quem paga imposto e gera postos de trabalho; leis e regulamentos ultrapassados, que já não fazem mais sentido nos tempos atuais. Todas exigências burocráticas caras e inúteis, no momento em que as palavras de ordem no país são crescimento e desenvolvimento para fazer rodar o círculo virtuoso de uma economia combalida e ferida. Economia esta que, para se recuperar, tem que contar com a expansão dos setores produtivos, cada vez mais massacrados por medidas que ignoram as dificuldades enfrentadas pelas empresas.
Tal cenário mostra o quanto os setores produtivos, especialmente o comércio, estão sendo duramente penalizados com a crise política e econômica, que gerou um quadro bastante adverso para o consumidor o ano passado e que permanece em 2016. Por causa dessa situação, o cliente sumiu das lojas, empurrado pelo crescente desemprego, inflação alta e falta de crédito. Pesquisa recente da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) mostra um dado bastante preocupante: ao retirar seu nome do cadastro negativo, 84% dos consumidores disseram que não pretendem fazer novas compras nos próximos três meses.
Aquela velha premissa de quanto menor o preço do produto, maior o número de consumidores com o consequente crescimento do mercado, resultando em lojas cheias, lucros assegurados e clientes felizes precisa ser revista diante do quadro atual. Na verdade, o consumidor sumiu. Faltam clima, disposição e dinheiro, por maior que sejam as ações dos comerciantes para atraí-los.

