22 de janeiro de 2018
Mudança de hábitos — como conquistar o consumidor cada vez mais exigente e conectado
No rastro das velozes transformações tecnológicas e do alcance cada vez maior das mídias digitais, o comércio varejista vem passando por profundas mudanças em todo o mundo. Se antes era importante conhecer bem o cliente, agora isso tornou-se ainda mais necessário — uma questão de sobrevivência. Entender essas mudanças, sabendo identificar oportunidades e implementar ações para conquistar o público consumidor, é o desafio permanente de empresas e marcas do varejo. No Brasil, além da forte influência das inovações tecnológicas, o cenário político e econômico é também fator preponderante na mudança de hábitos do consumidor, que está mais exigente, mais informado e ainda mais atento aos seus gastos.
Sem saber o que vem pela frente, o consumidor se retrai, evita gastar além do necessário, troca as marcas de sua preferência por outras mais baratas ou com valores agregados e investe só no que realmente importa para ele. Não quer abrir mão de seu padrão de vida, mas precisa decidir com equilíbrio em tempos de incerteza econômica. Com essa perspectiva, o consumidor está se reinventando — e as marcas também, para atendê-lo de acordo com os seus novos desejos.
O que você quer dizer, em que você acredita e como você faz o mundo melhor
Segundo a TrendWatching, agência que identifica e analisa tendências de consumo em mais de 180 países, o futuro ainda pertence àqueles que acreditam no progresso — e o progresso vem através da inovação. Em entrevista à Endeavor Brasil, a estrategista de tendências para as Américas do Sul e Central da TrendWatching, Luciana Stein, elencou cinco aspectos que devem servir, mais do que nunca, como pilares para a inovação: transparência, aspiração, impacto positivo, tolerância e empoderamento. Ela afirma que, ao ter como referência uma ou mais destas "verdades", a empresa fundamentará sua inovação em algo significativo e duradouro.
Transparência — Pesquisa da Havas, com mais de 10 mil consumidores ao redor do mundo, mostrou que, para 78% deles, é "um pouco ou muito importante que uma empresa seja transparente", e 70% disseram que "atualmente fazem questão de saber mais sobre as empresas das quais são consumidores". A diferença entre o que é interno e o que é externo ao negócio está sumindo: processos, cultura e valores internos são propriedade pública e parte da marca. Por isso, é preciso falar a linguagem dos consumidores — rápida, prática, informal — e conectá-los aos seus pares, porque eles confiam mais nas informações uns dos outros do que nas suas.
Aspiração — Com o incremento das mídias sociais, a busca pelo status cresce e se intensifica, com o surgimento de uma classe média realmente global. Mais do que ambição no sentido de ter, a aspiração é ser: ser mais bonito, mais saudável, mais inteligente, ter mais seguidores. Como aproveitar sua expertise para se aproximar desse consumidor? Mais uma vez, entre as respostas, está conectar seus consumidores uns aos outros.
Impacto positivo — Atuar com transparência e ética, investindo em modelos de inovação que priorizem o meio ambiente e o bem-estar social, é o caminho das empresas que buscam perenidade. Causar impacto positivo, criando valores positivos para a marca, é inseri-la no futuro.
Tolerância — Aos diferentes contextos sociais, estilos de vida, escolhas e identidades. Muitas marcas já perceberam isso e sinalizam a mudança aos seus consumidores através de novos produtos, campanhas e ações publicitárias que têm como ponto de partida a tolerância às diferenças.
Empoderamento — Segundo Luciana Stein, esta é a verdade mais abrangente, por englobar as anteriores. "Estamos no meio de uma mudança de poder épica, que passa das instituições — leia-se governo, mídia e grandes empresas — para o indivíduo", ressaltou. "Ao colocar em prática uma dessas verdades, a empresa estará empoderando os indivíduos para que assumam o controle de suas vidas, de seus espaços compartilhados e das instituições, assim como do próprio futuro." E conclui: "O que, por consequência, é a melhor maneira de garantir um futuro brilhante para a sua marca."
Fonte: Revista O Lojista, maio/junho de 2017.